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  • antonio andrade

A abordagem Fisioterapêutica no Paciente sobrevivente de doenças críticas após alta Hospitalar

Com a evolução tecnológica na saúde, os números de pacientes críticos que sobrevivem a admissão em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) aumentaram significativamente, contudo muitos pacientes apresentam limitação de longo prazo no bem-estar físico e mental após a alta Hospitalar.


As limitações acarretam restrições para realizar atividade de vida diária, no lazer, no trabalho e no Hobby, dificultando o retorno ao seu jeito de vida anterior a internação. Então o que fazer para melhorar a qualidade de vida? qual a fisioterapia mais benéfica? quais os exercícios que irão contribuir para que eu volte a realizar o meu esporte?, estas são perguntas que sempre escuto no atendimento destes pacientes, muitas vezes simples no entendimento do fisioterapeuta especialista, mas complexa para os pacientes.


Tentando responder algumas destas perguntas, inicialmente tenho que deixar claro que a maioria dos pacientes internados em uma UTI receberá alta para uma enfermaria, o destino após a alta hospitalar depende da gravidade das limitações funcionais e o nível de independência. Muitos dos pacientes que recebem alta hospitalar apresentam fraqueza muscular e descondicionamento, eles procuram um fisioterapeuta, os quais algumas vezes não são especializados, nem tem experiência com o paciente com a síndrome pós terapia intensiva.


Em síntese as condutas da fisioterapia dentro da Terapia Intensiva já estão mais bem definidas e os recursos e terapias após a alta hospitalar do paciente crítico estão se definindo, contudo, ainda faltam mais embasamento científico para quais abordagem devem ser utilizadas nestes pacientes.

Várias são as perguntas que devem ser respondidas nas próximas pesquisas científicas, a principal qual a dose-resposta da intervenção fisioterapêutica nesse grupo de pacientes? Em um estudo publicado em 2019, na Physiotherapy Theory and Practice, por Kwakman, RCH e colaboradores, os autores propuseram uma estrutura consensual de reabilitação física para sobreviventes de doenças críticas, após a alta hospitalar na Holanda, dentro deste consenso eles descrevem quais intervenções da fisioterapia são recomendadas para obter a continuidade ideal dos cuidados. São eles:

Força muscular:

-Deve ser avaliada por dianamometria e/ou por escala de MRC, também houve consenso unânime em intervenções que melhoram a força e a massa muscular. Exercícios funcionais e treinamento de força muscular foram considerados essenciais. O suporte nutricional foi considerado muito importante, complementar aos métodos de treinamento físico

Função Pulmonar:

-Avaliado por espirometria, capacidade vital, força muscular respiratória e por escala MRC de dispneia. O treinamento de força muscular classificado como muito importante para melhorar a função pulmonar. Quanto a Liberação de secreção das vias aéreas foi alcançado consenso quanto à classificação do ciclo ativo dos exercícios respiratórios como muito importante no caso de presença de secreção das vias aéreas.

Esforço Percebido:

- Deve ser avaliada pela escala de percepção de esforço percebido BORG

Dor

-Avaliada pela escala numérica de percepção da dor, sendo a educação sobre a dor, a atividade avaliada e a exposição classificadas por unanimidade como intervenções muito importantes para melhorar o enfrentamento da dor

Capacidade Aeróbica:

Classificaram como muito importante avaliar pelo Teste da Caminhada de 6 minutos e pelo teste de exercício cardiopulmonar. Além disso, as seguintes intervenções fisioterapêuticas devem ser utilizadas na melhoria da capacidade aeróbica: treinamento cardio intervalado, treinamento em circuito e contínuo treinamento cardio. A hidroterapia também foi classificada por na melhoria da capacidade aeróbica, embora tenham sido feitos comentários sobre a disponibilidade de hidroterapia em contextos de cuidados primários para pacientes gravemente comprometidos.

Definiram a intensidade do exercício inicial para capacidade aeróbica o treinamento aeróbico de 50 a 80% da captação máxima de oxigênio (VO2max), podendo ser usado o método Karvonen (50 a 70% da reserva da frequência cardíaca) ou definindo a intensidade do exercício inicial para caminhar em uma esteira a 80% da velocidade média do 6MWT.

Limitações de atividade da vida diária e qualidade de vida relacionado com a saúde:

Uso da escala funcional específica e do questionário SF-36 na avaliação das limitações e qualidade de vida respectivamente, sendo unanime a indicação dos exercícios funcionais somado ao treinamento de força.

Outros domínios de saúde função cognitiva medida com o Miniexame do Estado Mental (MEEM), estado nutricional com o Questionário de Avaliação Nutricional Curto e transtorno de estresse pós-traumático, medido com o Trauma Screening Questionnaire foram consensualmente classificados como muito importantes.

Vale salientar que este é um consenso proposto para as altas hospitalares em hospitais da Holanda e deveriam ser seguidos por fisioterapeutas da atenção primaria, mas muitas destas abordagens nós podemos utilizar no Brasil, adaptando tanto as ferramentas como a tecnologia para a nossa realidade. A intervenção de trazer resultados clínicos e funcionais relevantes, deve ser aplicável e gerar menos custos monetários em relação à outra proposta de intervenção já conhecida.

Diante o exposto, o fisioterapeuta deve utilizar as recomendações da literatura científica para apoiar a decisão clínica no tratamento de sobreviventes de doenças críticas após a alta hospitalar, gerando um tratamento efetivo e eficiente para o paciente.


Referências:

- Robin C. H. Kwakman, Mel E. Major, Daniela S. Dettling-Ihnenfeldt, Frans Nollet, Raoul H. H. Engelbert & Marike van der Schaaf (2019) Physiotherapy treatment approaches for survivors of critical illness: a proposal from a Delphi study, Physiotherapy Theory and Practice, DOI: 10.1080/09593985.2019.1579283

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